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Na sequência de trabalhos que o trabalho do grupo Aj@Web desenvolve, tenho vindo a reflectir sobre o movimento. Para tanto, desloquei-me hoje até à praia (perto de casa e bom caminho), para exercitar o físico e a mente.
Olhando a Natureza circundante, mais uma vez dei por mim a pensar que toda a criação humana é feita com base na magia e na simplicidade da NATUREZA, por isso complexa e exigente para a compreendermos.
A Natureza das coisas é animada ou inanimada, sendo que alguma desta, por impulso da força da animada, ganha movimento também, por vezes, como a pedra que rola monte abaixo depois de investida do vento e da erosão.
Porque fascina o mar? Porque tem movimento, porque é portador de mensagens, porque sempre nos diz algo naquele movimento perpétuo, sempre repetido, nunca igual. Ora, na Natureza, o que tem movimento dá-nos mensagem, isto é, é capaz de melhor comunicar algo, de estabelecer comunicação não-verbal, como o abanar das árvores, a chuva que cai, o fogo que rompe por entre a floresta, a água do rio que corre, e não falo sequer nos seres vivos. Falo das forças da Natureza, da causa primordial, que os pré-socráticos Tales de Mileto, Anaxímes e Anaximandro haviam como origem do universo: água, ar e fogo.
Numa teoria de comunicação purista, esta acontece sempre que entre o emissor e o receptor há envio de mensagem que é descodificada, compreendida por quem a recebe, através de um canal, num código.
Ora, o movimento, o ter feições, o ter contornos, a cabeça, tronco e membros é, no mundo da Web um passo de gigante para CATIVAR para a comunicação, para interagir em comunidade. Quero com isto dizer que, mais que uma reprodução do real, talvez o sucesso dos ambientes do 3D seja o facto de, quando estamos perante outros avatares (não damos bem conta disso, mas é que se passa), apresentamo-nos com uma dimensão do real / natural de preponderante importância para o acto de comunicar, pois somos um corpo com expressão facial, com expressão corporal, com expressão labial, que podemos alterar (definir e ou parametrizar). Ora, são estas dimensões dinâmicas potenciadoras de expressividade, fomentadoras de comunicação, mesmo “em boneco”, como a Natureza. Como o são também nesse reina da Natureza os espantalhos, em tudo 3D, construídos com coisas e à semelhança dos humanos, para darem uma mensagem ao reino animal. Ora, estes, são cuidadosamente colocados e ou pendurados para que tenham movimento. Porquê, porque o movimento não é o que representa o humano (esse já está nas roupas, nos chapéus, no cabelo de palha e noutras feições), o movimento é o potenciador da comunicação, da mensagem, carregando os espantalhos ainda de mais significados.
É esta dimensão que me parece ser o grande móbil do sucesso no SL como o vira a ser noutros ambientes 3D e, crio, que quanto mais movimento e expressão corporal tiverem tanto mais sucesso terão, pela potenciação de comunicação significativa. Comunicar é próprio da natureza. A natureza do Homem caracteriza-se essencialmente pela dimensão social, sendo que esta é ancorada na comunicação.
Há estudos que dão o relevo devido à comunicação não-verbal, não sei se os há dados comparativos com outros ambientes web sobre esta dimensão da comunicação, a do movimento numa figura que ganha feições expressivas. Digamos que podemos estabelecer um paralelo entre o que está a acontecer na Web e o que aconteceu no mundo real da comunicação com o surgir do cinema: o cine, movimento, veio revolucionar a comunicação.
O que vimos assistindo no seio da Web é isso mesmo, do estático ao dinâmico, do dinâmico ao interactivo e deste ao manipulativo com representação remota.
Perceber a comunicação na sua essência, descortinar o que a torna eficaz (não é certamente a palavra, tampouco só a voz) e como o Homem (re-, inter-) age externa e interiormente em contextos convencionais e não convencionais, a partir da dimensão do movimento inerente ao ser humano ou às suas representações externas, talvez seja um caminho no quadro da investigação em ambientes 3D.
Aqui fica a nota de um dia em que o movimento das ondas foi mais sugestivo do que habitual, porque me apresentei perante as mesmas com mais informação, com conceitos refeitos, com novas aprendizagens e, na interacção com essa realidade significativa, dei asas à imaginação e recriei o meu olhar sobre as coisas. Assim se constrói.

By Aristides Martins de Sousa.

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2 Comments to “Pensamentos, o mar e o Second Life…”

  1. André Brigham S. | December 3rd, 2007 at 11:17 am

    Olá Aristides,

    Gostei muito da abordagem filosófica. É bom procurar respostas nas coisas mais simples da natureza. Através de analogias, ela tem respostas para tudo.

    Um Grande Abraço,
    André Brigham Silva

  2. mar, ó mar « Pequenos Mundos | December 5th, 2007 at 12:56 am

    […] Aqui falou-se de mar. Também gosto. Sobretudo de o admirar. […]

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